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ENTRE DUAS ESTRADAS

No Sul de Minas, onde os caminhos se cruzavam levando e trazendo tropeiros, garimpeiros e caixeiros
viajantes que circulavam entre São João Del Rei, Rio de Janeiro, Aiuruoca e São Paulo, nasceu o município de Cruzília.

O ponto culminante da cidade é a Serrinha com 1.360 metros. Fazendas do século XIX que guardam tradições de famílias patriarcais da região, ainda hoje são encontradas no município. A cidade foi construída entre duas estradas que levavam ao interior das capitanias de Aiuruoca e Alagoa, por isso batizada de Encruzilhada.


CRUZILÉIA E CRUZ DA ESTRADA

Cruzília teve os nomes de Encruzilhada, Cruz da Estrada e Cruziléia (estes dois últimos de curta
duração).Quando se tratou da revisão dos municípios brasileiros, verificou-se que a Encruzilhada do Sul
(RS) era mais antiga que a Encruzilhada mineira, que teve que perder o nome para Cruz da Estrada.

Tal, no entanto, não é verdade, pois o topônimo Encruzilhada na região de Baependi data da segunda metade do século XVIII, sendo, por isso mesmo, anterior à Encruzilhada gaúcha. O topônimo lembra duas estradas que ali se cruzavam, uma que ia ter Aiuruoca e Alagoa, outra a Carrancas e interior da Capitania.

O nome Encruzilhada aparece desde os remotos anos de 1718/20, quando Francisco Martins, Diogo Pires, Tomé de Souza e Silva, Pedro da Silva Góis e Diogo Moreira, todos eles moradores em Encruzilhada, procuraram pagar os impostos devidos à Coroa, no antigo Distrito de Baependi.

Em 1726, aos 20 de dezembro, D. Lourenço de Almeida, governador mineiro, concede uma sesmaria a Manoel de Sá “que há dois anos, sem contradição alguma, está cultivando umas terras que até esse tempo nunca tiveram dono nem cultura no sertão que vai da Encruzilhada para Jeruoca” (Revista do Arquivo Público Mineiro de 1899, pág. 180). Recebeu légua e meia de testada para a parte de Aiuruoca e duas léguas de sertão, obrigando-se a cultivá-las no prazo de dois anos.

Esse Manoel de Sá foi o primeiro dono do sítio da Encruzilhada, em cujas terras foi fundado o lugar. Isso consta dos registros paroquiais de Baependi, na especificação “assistentes no sítio da Encruzilhada”, desde o ano de 1732. Outros registros, posteriores, são mais claros na designação do lugar, que então ia crescendo.


BAIRRO DA ENCRUZILHADA

Em 1800 já aparece o nome “bairro da Encruzilhada”, nos registros de Baependi. Seu antigo cemitério data do ano de 1758. Com a decadência do lugar, os falecidos passaram a ser sepultados em Baependi.

Bem mais tarde é que foi restabelecido o cemitério, segundo termo de óbito do ano de 1822. O progresso do lugar data de 1838. Não havia capela alguma, a não ser em fazendas. As principais fazendas eram dos manos João e José de Souza Meireles, que possuíam em casa oratórios, devidamente providos pela autoridade diocesana.

Esse oratório (o de José de Souza Meireles) era dedicado a São José e se achava construído na fazenda do Angaí. A capela da Encruzilhada é do ano de 1861. Foi benta pelo vigário de Baependi, cônego Joaquim Gomes do Carmo, a 11 de agosto daquele ano. Progredindo a localidade, foi criada a Paróquia pela Lei Mineira nº 1995, de 14 de novembro de 1873.


SÃO SEBASTIÃO DA ENCRUZILHADA

Em 1805, tem-se o primeiro registro da pecuária na região, com a chegada de algumas cabeças de gado
leiteiro holandês. Em 1822 o local já é mencionado como Bairro da Encruzilhada. Em 1858, foi construído o primeiro comércio, de propriedade de Manoel Domingues Maciel, ali, o povoado se estabeleceu. Em 1861-62, foi edificada a capela de São Sebastião, por Antonio Pinto Ribeiro. Em 1873, com o nome de São Sebastião da Encruzilhada o arraial passou a ser distrito de Baependi, pela Lei nº. 1997, de 14 de novembro, delimitando sua área de 508 km2. Em 1874 é criada a Paróquia de São Sebastião da

Encruzilhada, sendo o primeiro vigário Pe. João Câncio dos Reis Meireles. Em 1886, Mons. João Câncio dos Reis Meireles criou o Colégio São Sebastião. Em 1914, fundação do Clube Recreativo Encruzilhadense, 1915 é fundado o primeiro Clube Esportivo, Sete de Setembro Futebol Clube. Em 1918, fundação da primeira Casa de Saúde, em 1920 construção da hidroelétrica, que levou luz para as ruas do distrito. Em 1933, foi elevado à categoria de vila.


FINALMENTE, CRUZÍLIA

Em 1938, a vila teve o nome reduzido de São Sebastião da Encruzilhada para Encruzilhada, pela Lei nº. 148, de 17 de dezembro. Em 1939 visita do então Presidente da República Getúlio Vargas. Em 1943, o distrito passa a chamar-se Cruzília, por força do decreto-lei nº. 1058, de 31 de dezembro e cinco anos depois torna-se município pela Lei nº.336 de 27 de dezembro de 1948, conquistando a emancipação de Baependi e iniciando uma nova história política e administrativa. Após a emancipação, a cidade assistiu um crescimento constante.

A agropecuária ainda é a mais significativa fonte da economia. O milho ainda continua sendo o principal
produto agrícola em seguida o café, que ainda não consegui posição de destaque.

No período de 1991-2000, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-MG) de Cruzília cresceu
assustadoramente. A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, em seguida a
Longevidade. Em 1995, o maior problema do município, abastecimento de água, foi solucionado com a vinda da  COPASA.

O município nos últimos tempos tem desenvolvido grandes atividades no setor moveleiro e têm se destacado no indústria láctea. Possui no catolicismo a principal religião e as atividades culturais normalmente acontecem nos meses de julho e dezembro. Depois de muita luta por parte de todos ex-prefeitos e atual, a tão sonhada Comarca foi instalada em 12/08/05, na administração de José Carlos Maciel de Alckmin.

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